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Reprodução Humana

PGT-SR: conheça o teste genético pré-implantacional para alterações cromossômicas estruturais

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Antes de tudo, existem diversas alterações estruturais do cariótipo, a mais comum na avaliação de casais são as translocações equilibradas. Entende-se como translocação, a troca de um pedaço do cromossomo com outro, que para a pessoas portadora não ocorre absolutamente nada.

Entretanto, casais em que um ou os dois parceiros apresentam-se com uma translocação mas pode ocorrer nos filhos de ter um filho desbalanceado ou perda gestacional precoce.  Durante muito tempo, quando o geneticista avaliava estes casais apresentavam os riscos, mas não havia muito o que ser feito.

Para estes casais, está indicado a realização de exames invasivos (amniocentese e cordocentese) durante a gravidez, em caso de gestação natural. Em caso de perda gestacional, a realização do cariótipo dos restos ovulares. Por muito tempo estas foram as únicas possibilidades. Hoje, já é possível a realização de tecnologias de reprodução assistida para auxiliar estes casais.

Com a evolução dos testes genéticos e da reprodução humana assistida, é possível analisar todos os embriões do casal obtidos a partir de fertilização in vitro. A análise embrionária é resultado de um teste genético pré-implatacional para aneuploidias (PGT-SR), como se fosse o “cariótipo” do embrião. Embriões com cariótipo normal seriam transferidos para a futura mamãe.

Concomitantemente, pode-se garantir para este casal que não irá ocorrer a alteração desbalanceada bem como aneuploidias, de gestações provenientes de embriões cromossomicamente normais.

De qualquer forma, converse com o seu médico antes de fazer quaisquer testes genéticos no embrião, bem como quais os benefícios da técnica utilizada, para que a escolha do teste correto seja feita baseada em evidências científicas.

Limites éticos da análise embrionária e do teste genético em embriões

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Antes de tudo, este artigo é baseado em documentos oficiais das sociedades científicas internacionais relativas a reprodução assistida. Não irei levar em consideração diferentes religiões, histórias de vida e questões morais inerentes a sociedade brasileira.

A análise embrionária com os testes genéticos pré-implantacionais fazem parte do cotidiano de reprodução humana e genética médica. De certa forma, quando se fala em questões bioéticas, considera-se alguns fatores, e principalmente os quatro princípios da bioética.

A sociedade americana de medicina reprodutiva (ASRM) preconiza que deve ser oferecido o teste genético pré-implantacional para aneuploidias (PGT-A) a todos os casais em que a idade materna é superior a 35 anos. A partir do teste, nunca deve-se implantar o embrião alterado.

Para as doenças monogênicas, esta mesma sociedade preconiza que doenças monogênicas, como a anemia falciforme e a fibrose cística, pode ser oferecido ao casal o teste genético pré-implantacional para doenças monogênicas (PGT-M). Doenças com penetrância incompleta, como a síndrome de câncer de mama e ovário hereditário e angioedema hereditário, pode ser oferecido esta mesma tecnologia.

Em casais que um dos parceiros apresenta uma translocação equilibrada, também pode ser oferecido o teste genético pré-implantacional para alterações cromossômicas estruturais (PGT-SR). Semelhante ao PGT-A, observa-se as aneuploidias e além disso as alterações no embrião proveniente da translocação.

Obedecendo ao princípio da autonomia do sujeito e o fundamento principal do aconselhamento genético, observa-se que o casal tem o direito de poder escolher se irá ou não realizar o teste genético. A beneficência está bem claro, pois a partir daquela geração, não mais ocorrerá a doença genética previamente descrita na família bem como reduziria o risco de ocorrência de doenças genéticas no futuro bebê.

A equidade e a justiça estão intimamente ligados, visto que as técnicas de análise embrionária não são para todos os casais que desejam ter filhos. Há indicações formais para se fazer ou não. A não maleficência, por si só, avaliando-se o casal, a técnica não traz prejuízos para o casal, bem como ao embrião.

De qualquer forma, converse com o seu médico e realize o aconselhamento genético antes de fazer quaisquer teste genético no embrião, bem como quais os benefícios da técnica, para que a escolha do teste correto seja feita baseada em evidências científicas.

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Produção independente e reprodução humana

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Com a sociedade cada vez cobrando por desempenho e graduação, a vida pessoal e a vida reprodutiva cada vez mais é deixada de lado. Hoje, muitas mulheres adiam a gestação, seja por questões educacionais e profissionais, ou por falta de um parceiro.

Você sempre se imaginou ser mãe? Porque deveria esperar por um príncipe encantado? A cada dia, muitas mulheres solteiras recorrem à reprodução assistida para poder realizar o sonho da maternidade e de ter um bebê.

A produção independente sempre existiu, muitas vezes por um pai omisso ou um parceiro que não assumiu a criança. Mas este texto é relativo a mulheres que buscam a maternidade, sem a necessidade de ter um parceiro.

Se você deseja assumir a maternidade e ter um bebê, independentemente de ter um parceiro, as tecnologias de reprodução assistida poderão lhe auxiliar. É possível contratar um serviço de reprodução humana e utilizar banco de sêmen.

No Brasil, está disponível bancos de sêmen nacionais e internacionais. A diferença seria quanto aos padrões étnicos, bem como as informações sobre o doador. Também é possível fazer teste genético no doador, semelhante ao teste genético para casais de primos. Há bancos de sêmen que já fazem testes genéticos prévios, incluindo-se o cariótipo.

Pode se realizar a inseminação artificial ou fertilização in vitro (FIV), dependendo de cada caso. Caso você ainda não esteja pronta para iniciar uma família, pode ser realizado o congelamento dos óvulos, para preservação de fertilidade. Esta tecnologia também está disponível.

Caso a decisão seja partir para produção independente utilizando reprodução assistida, é interessante a realização de acompanhamento psicológico concomitantemente as consultas. Também é importante a avaliação com geneticista, bem como o aconselhamento genético antes do tratamento.

Síndrome dos ovários policísticos sop dificuldade para engravidar ciclos irregulares

Síndrome dos ovários policísticos (SOP): dificuldade para engravidar

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As causas de infertilidade feminina são divididas em três: fator tubário, endometriose e fator ovulatório. Dentro do fator ovulatório, a principal causa de alteração da ovulação é a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição que afeta mulheres em idade fértil e altera os níveis de múltiplos hormônios, resultando em problemas que afetam muitos sistemas do corpo e principalmente a ovulação.

A principal característica que afeta as mulheres com síndrome dos ovários policísticos é o excesso de hormônios sexuais masculinos (andrógenos), uma condição denominada hiperandrogenismo. Apresentar a desregulação hormonal acarreta ao crescimento excessivo de pelos no corpo, também conhecido como hirsutismo; acne; e até mesmo calvície.

A desregulação hormonal e o excesso de hormônios masculinos alteram a ovulação e o ciclo menstrual. Níveis anormais dos hormônios que regulam o ovário fazem com que não ocorra a liberação dos óvulos; além de longos períodos de menstruação, levando a ciclos irregulares e anovulatórios. Esta duas características podem levar a dificuldade para engravidar.

Para as mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) que atingem a gravidez natural, há um risco aumentado de complicações e de perda gestacional espontânea. Devido a menstruação irregular, períodos longos anovulatórios e as alterações hormonais, estas mulheres apresentam risco maior de desenvolver câncer de endométrio.

Na síndrome dos ovários policísticos (SOP), durante a realização da ultrassonografia transvaginal, é observado a imagem do ovário de aspecto micropolicístico, ou seja, apresentando múltiplos pequenos cistos em cada ovário. Estes cistos são pequenos folículos ovarianos imaturos.

Normalmente, os folículos ovarianos contêm precursores de óvulos, que são liberadas durante a ovulação. Na síndrome dos ovários policísticos (SOP), a presença da desregulação hormonais fazem com que não ocorra o crescimento dos folículos e posterior amadurecimento para liberar óvulos, levando a períodos longos anovulatórios.

Em contrapartida, por conta desta alteração hormonal, os folículos imaturos se acumulam nos ovários. As mulheres afetadas podem ter 12 ou mais desses folículos. O número desses folículos geralmente diminui com a idade.

Mais da metade das mulheres com síndrome dos ovários policísticos apresentam-se com sobrepeso ou obesidade e estão em risco aumentado de esteatose hepática. Além disso, muitas mulheres com síndrome do ovário policístico apresentam níveis elevados da insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.

Aos 40 anos, cerca de 10% das mulheres com excesso de peso com síndrome dos ovários policísticos desenvolvem diabetes tipo 2, e até 35% desenvolvem pré-diabetes. Obesidade e aumento dos níveis de insulina piora os níveis hormonais.

Cerca de 20% dos adultos afetados experimentam a apneia do sono, ou seja, pausas na respiração durante o sono. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos são mais propensas a ter transtornos de humor, em especial a depressão, comparação com a população em geral.

Do ponto de vista reprodutivo, por conta dos longos períodos sem ovular, existe um leque de possibilidades de tratamento, utilizando reprodução assistida. Desde métodos mais simples até o mais complexo, compreendendo desde inseminação à fertilização in vitro.

Cada caso deve ser individualizado durante a escolha da tecnologia de reprodução assistida, visando não só o uso racional das tecnologias, bem como o custo-efetividade de cada técnica. O ideal é sempre buscar uma equipe multiprofissional, incluindo um médico geneticista para auxiliar no melhor tratamento e atingir o sonho de ser mãe.

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Cuidados com a mulher: a saúde e a autoestima

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Em comemoração ao dia internacional da mulher, hoje, dia 08 de março, irei falar sobre os cuidados gerais que qualquer mulher deve ter consigo mesma. Inicialmente os cuidados com a pele, com uso de protetor solar, além dos cuidados específicos da mulher.

Anualmente, toda mulher deve realizar o exame preventivo, ou também conhecido Papanicolau. Neste exame é utilizado o espéculo, também conhecido como bico de pato, para poder se examinar toda a extensão da vagina. É colhido o material do colo uterino para avaliação de doenças sexualmente transmissíveis e a infecção pelo vírus papiloma humano (HPV).

O HPV é um vírus assintomático em homens, e é uma das principais DST’s. Pode levar ao câncer de colo uterino e ao câncer de pênis (em homens). Com o exame preventivo é possível diagnósticar precocemente e iniciar o quanto antes o tratamento do HPV.

Além do papanicolau, é importante a realização do exame das mamas. A principal prevenção do câncer de mama é o auto-exame das mamas. A consulta com o ginecologista também é importante. Nela é examinada também as mamas e posteriormente solicitado exames complementares.

Nos exames complementares, a partir dos 25 anos é realizada a ultrassonografia das mamas, e após os 40 anos a mamografia. Vale ressaltar que há muita confusão entre nódulos e tumor de mamas. Em geral nódulos são benignos, e não requerem tantos cuidados.

Além desses exames, é sempre bom deixar as sorologias em dia. No cuidado que toda mulher tem que ter, sempre se é avaliado presença de outras DST’s, como HIV, hepatites virais e sífilis. Em casos sintomáticos também é avaliado a clamídia e a gonorreia.

Estar bem com a saúde é sinónimo de qualidade de vida. E nesta também não podemos esquecer a questão da autoestima. Entende-se como autoestima o quanto a pessoa gosta de si mesma. Hoje com o culto a beleza, cada vez mais as mulheres vem perdendo sua autoestima.

A construção da autoestima é um desafio que você tem como aliado os profissionais de saúde. Eles estão trabalhando para lhe auxiliar. Deve-se ter em mente que saúde não é ausência de doença e sim um bem estar físico, mental e social.

Na minha prática médica, reforço sempre à questão da autoestima da mulher, principalmente falando-se em cuidados com as perdas gestacionais e infertilidade conjugal. Recuperar a autoestima da mulher é um dos principais focos para o cuidado.

Baixa reserva ovariana é quando ocorre a diminuição de óvulos medidos por exames complementares, serve como preditor de tecnologia de reprodução assistida cio número de óvulos

Baixa reserva ovariana: quando cai o número de óvulos de uma mulher

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Quando se fala em reserva ovariana, ou melhor, o quanto de óvulos uma mulher tem, devemos ter em mente alguns conceitos. Inicialmente, diferentemente do que ocorre no homem, em que é produzido espermatozoides todos os dias. Os óvulos de uma mulher são os mesmos do dia que nasceu.

Normalmente uma mulher nasce com um número finito de óvulos, que a partir da primeira menstruação (menarca), todos os meses sai dos ovários um óvulo para este ser fecundado durante período fértil. O ciclo menstrual é composto de 28-30 dias, em média, e inicia-se no primeiro dia da última menstruação (DUM).

Para avaliação da reserva ovariana, sempre é solicitado três exames. O primeiro deles são os hormônios que normalmente se é solicitado por qualquer ginecologista. O ideal é ser coletado no terceiro ou quarto dia do ciclo, fase que é chamada fase folicular precoce, este melhor prediz como está ocorrendo o funcionamento dos ovários.

Além desse exame é importante solicitar o hormônio anti-mülleriano, um exame que entrou na rotina por meados de 2012, que de forma muito fidedigna consegue predizer a reserva ovariana. Não há data ideal para colher, é um exame simples de sangue, e que traz muitas respostas. Nas mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), este valor pode estar muito aumentado.

Ainda durante a avaliação da reserva ovariana, é solicitado uma ultrassonografia transvaginal, a ser realizado por volta do 14-21 dia do ciclo, em que é realizada a contagem dos folículos antrais (CFA). Esta medida é mais um marcador para predizer a reserva ovariana. Infelizmente esta ultrassonografia transvaginal é realizada apenas em centros de reprodução assistida.

A reserva ovariana serve para melhor guiar na escolha dos medicamentos a serem utilizados na reprodução assistida. Quando ocorre a baixa reserva ovariana, deve-se realizar a investigação, incluindo a realização do exame do cariótipo. A idade da mulher é o principal fator para reserva ovariana. A reserva ovariana também auxilia durante o congelamento dos óvulos.

O ideal é sempre buscar um médico geneticista para realizar a investigação correta da baixa reserva ovariana, bem como verificar quais as melhores possibilidades para realizar o sonho de ser mãe.

Teste genético pré-concepção: uma realidade ou ficção

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Em busca  de garantias, cada vez mais casais vão em busca de aconselhamento genético por conta do medo de ter um filho com algum tipo de malformação congênita ou alguma síndrome. Durante o aconselhamento genético é realizado a avaliação da arvore genealógica do casal, a fim de avaliar o histórico de doenças na família, além de ocorrência de deficiência intelectual, autismo ou até mesmo câncer.

Realizando-se o aconselhamento genético pré-concepcional e avaliando-se a história de cada casal. É verificado se há ou não algum grau de parentesco, mesmo que remoto, para pessoas provenientes de uma mesma região. E a partir daí é sugerido uma série de exames, são o chamado teste genético pré-concepcional. Vale ressaltar que os testes genéticos estão cada vez mais avançados, e mais detalhados e específicos para cada caso, este teste é diferente do teste genético direto ao consumidor e ao teste de ancestralidade.

O teste genético pré-concepcional é solicitado apenas após a realização do aconselhamento genético pré-concepcional. O teste genético pré-concepcional pode ser compreendido de exames comuns, que não são nem genéticos, propriamente dito.

Na avaliação pré-concepcional ou até mesmo na avaliação pré-nupcial pode ser solicitado as sorologias, que avaliam desde doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), como HIV, hepatites B e C, sífilis, além de outras sorologias importantes como o citomegalovirus (CMV), toxoplasmose e rubéola. Estes exames são importantes visando tanto o casal como um todo, quanto a ocorrencia destas doenças no futuro bebê.

Visando doenças geneticamente determinadas, há a eletroforese de hemoglobina, que avalia o grupo de doenças denominadas hemoglobinopatias ou doenças de hemoglobina. Está presente a anemia falciforme e a talassemia. Este exame é simples, barato e até mesmo no sistema único de saúde (SUS) é realizado. Uma vez sabendo que os futuros pais são portadores da doença, é realizado o aconselhamento genético e sugerido até mesmo a realização de fertilização in vitro com análise genética de embriões.

Outro exame que considero imprensidível é a realização do cariótipo do casal. Este exame avalia os cromossomos dos futuros pais a fim de prevenir a ocorrência de alterações cromossômicas desbalanceadas, vide quando um dos pais possuem o cariótipo alterado.

Já os testes genéticos pré-concepcionais, ditos como “painel de compatibilidade de casal” são de uso restrito, não possuem cobertura na saúde suplementar e não beneficia todos os casais, apenas alguns casos específicos. É o caso de casamento entre parentes, ou em grupos étnicos específicos, como os judeus. Vale ressaltar que este exame normal não significa que um casal não tem risco de ter um filho malformado.

Comercialmente há diversos laboratórios com estes exames. A maioria segue listas de doenças genéticas comuns nos Estados Unidos e na Europa, e não refletem a realidade brasileira. Vale ressaltar sempre a importância do aconselhamento genético, realizado por um médico geneticista, antes da realização de quaisquer exame genético. Discutir os riscos e benefícios assim como as limitações de cada teste é imprescindível.

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Casamento consanguíneo: quando parentes se casam

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O casamento entre parentes ou o casamento consanguíneo é uma queixa frequente na genética médica. Seja casamentos entre primos, ou até mesmo com grau de parentesco menor a consulta com médico geneticista é indispensável.

Uma vez que possuímos um ancestral em comum, seja avós, bisavós ou até mesmo de uma região, é possível que alelos raros de genes se encontrem. Fatores socioculturais e isolados geográficos contribuem consideravelmente para ocorrência de casamento entre parentes.

Do ponto de vista legal, na Lei do Brasil, não há impedimento a casamento entre parentes até primos em primeiro grau. Entende-se primo em primeiro grau quando o pai de um dos cônjuges é tio do outro cônjuge. Graus de parentescos maiores que primos é necessária a avaliação com médico geneticista para o casamento civil ter validade.

Do ponto de vista religioso, as religiões judaico-cristãs não proíbem casamentos entre primos. A própria igreja católica durante séculos fez vista grossa com casamento entre parentes. Religiões orientais como o islamismo não fazem nenhum contragosto, inclusive há muitas populações de povos árabes em que o grau de casamento entre parentes é alto.

No Brasil, há três regiões em que o casamento de primos possuem frequência alta, incluem-se o nordeste, o sul de Minas Gerais e o norte do Paraná. Por conta de questões socioculturais e por muitas vezes estarem localizados em isolados geográficos.

O maior exemplo de isolado geográfico em que ocorre o casar com primo é a Ilha de Lençóis no município de Cururupú, Maranhão. E com a alta taxa de casamento entre parentes, há a maior ocorrência de doenças raras, no caso o albinismo oculocutâneo.

Uma vez que um casal tem um ancestral em comum, ocorre maior probabilidade de ocorrência das doenças autossômicas recessivas, por exemplo a doença da urina de xarope do bordo e as doenças vistas no teste do pezinho.

Durante o aconselhamento genético, é realizado a arvore genealógica do casal, a fim de entender melhor o grau de parentesco. Além disso é avaliado se há outro casamento entre primos, além de avaliar se há casos de crianças que nasceram com algum problema.

A história familiar detalhada e a avaliação de doenças genéticas ou hereditárias são as principais ferramentas que um médico geneticista utiliza durante a avaliação de casais.

Sempre reforço a necessidade de qualquer casal de primos a realização do aconselhamento genético com um médico geneticista a fim da realização de exames complementares e por fim definir os riscos de ocorrência de doenças genéticas nos filhos do casal.

Beta positivo atraso menstrual teste de gravidez Cuidados iniciais da gestação Beta-HCG

Beta positivo: atraso menstrual e o teste de gravidez positivo

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O beta positivo é um termo que confirma a gravidez. Inicialmente a mulher tem um atraso menstrual de alguns dias, e após fazer o teste de farmácia dar positivo, é realizado o exame de sangue, chamado Beta-HCG.

O beta positivo abre um leque de possibilidades, a partir do beta positivo, a mulher começa o sentimento de maternidade, o ser mãe.

A partir do beta positivo, a mulher, agora mamãe, inicia um processo, um turbilhão de sentimentos passa pela sua cabeça. Chá revelação, chá de bebê, enxoval, quarto do bebê, nome, sexo da criança, são preocupações que muitas mulheres possuem.

O beta positivo é o sonho de muitas mulheres em tratamento de reprodução. Entretanto pode ser o início de um tormento para mulheres que passam pela perda gestacional e quando as gestações são indesejadas, como durante a adolescência.

Com o beta positivo, iniciam-se os cuidados iniciais da gravidez. Ao iniciar o pré-natal, deve realizar as consultas obstétricas, que no mínimo são seis, durante toda a gestação. Durante as consultas do pré-natal são solicitadas as sorologias (para avaliar: HIV, hepatites, sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus) além dos exames complementares para avaliar glicemia, tireóide, tipagem sanguínea, dentre outros.

A maior preocupação são as ultrassonografias. É feita a primeira ultrassonografia transvaginal para confirmar a gravidez, por volta de seis a nove semanas. Nela é visto se há ou não embrião, como na gravidez anembrionária.

Uma vez confirmado a gestação, e já iniciado o pré-natal, pode ser feito o teste pré-natal não invasivo, para tranquilizar a futura mamãe já nas primeiras semanas, para avaliação de risco de aneuploidia. O exame da translucência nucal  no primeiro morfológico é a segunda ultrassonografia a ser realizada.

Sempre frente a alguma alteração de quaisquer exames complementares, buscar um médico geneticista, que juntamente com um médico obstetra, irá auxiliar nas tomadas de decisões e sugerir as melhores soluções para cada problema.

Endometriose dor dispaurenia dismenorreia infertilidade dificuldade para engravidar

Dificuldade para engravidar e dor: pode ser endometriose

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A endometriose é uma das três principais causas de infertilidade feminina. O termo endometriose deriva seu nome da palavra endométrio. O endométrio é o revestimento do útero que corpo da mulher produz a cada mês esperando um embrião. Em outros posts há informações sobre infertilidade masculina (ver link), exames genéticos solicitados durante a investigação (ver link).

Se não houver a fecundação e a gravidez não ocorrer, irá ser eliminado o endométrio, o sangramento que ocorrerá no período menstrual.

Existem mulheres em que o tecido do endométrio percorre o final da tuba uterina e por fim entra no abdômen. Em algumas mulheres, o tecido do endométrio se ligará a outros órgãos, formando a endometriose.

Os hormônios produzidos durante o ciclo menstrual estimulam o tecido do endométrio, e as partes que estão fora do útero começa crescer e mais tarde a se desprender, assim como funciona o tecido de dentro do útero.

Entretanto, como o sangramento e a queda de tecido do endométrio não consegue sair do corpo, provocando inflamação e irritação do tecido local. Via de regra esta inflamação provoca a dor que os pacientes experimentam com a endometriose.

A endometriose possui diversos sintomas. Os sintomas mais comuns incluem dor antes e durante a menstruação (dismenorreia), relação sexual dolorosa (dispaurenia),  dificuldade para engravidar (infertilidade), dor ou outras alteração na micção ou evacuações e fadiga. Existem mulheres, em que a endometriose apresenta-se sem nenhum sintoma, em torno de 15 a 20% das mulheres com endometriose.

A endometriose também está associada a outros distúrbios imunológicos, incluindo asma, eczema e fibromialgia. A gravidade da endometriose não está associada a quantidade de dor ou o número de sintomas. A exemplo, têm mulheres com endometriose leve e sintomas graves, enquanto outras têm endometriose grave e assintomática.

A inflamação e irritação causadas pela endometriose podem gerar dificuldade para engravidar e até infertilidade. A inflamação crônica dificulta a retirada e o transporte do óvulo para a tuba uterina.

Em casos mais graves, a endometriose começa a causar aderência (fator tuboperitoneal de infertilidade), e os órgãos pélvicos ficam presos um ao outro, resultando em diminuição da função. A endometriose também pode bloquear a função as tubas uterinas.

O diagnóstico é realizado a partir de exames de imagem, como a ressonância nuclear magnética de pelve, a ultrassonografia transvaginal que pode mostrar o endometrioma e o uso de videolaparoscopia. Durante este procedimento, pode ser feito o diagnóstico e tratar a endometriose.

Sempre relato que a melhor forma de tratar a endometriose é a gestação. Visto que a gravidez realmente melhora a endometriose. Entretanto, quando a endometriose é tão grave, a tal ponto de impedir a concepção e gerar infertilidade, é necessária a realização de videolaparoscopia e até mesmo o uso de tecnologia de reprodução assistida (ver link).

Uma vez o nascimento da criança, a amamentação diminui o crescimento da endometriose, assim como a utilização de pílulas anticoncepcionais.

O ideal é buscar uma equipe multidisciplinar, com médico ginecologista e médico geneticista para que em conjunto realizem o diagnóstico correto e posteriormente indique o melhor tratamento a ser realizado.