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novembro 2018

Cariotipo FISH Array-CGH CGH-Array Chromosome Microarray Citogenética

Cariótipo com banda G, CGH-Array, SNP-Array, FISH, o que são os exames da citogenética?

By | Genética Médica e Genômica | No Comments

O Cariótipo com banda G, CGH-Array, SNP-Array, FISH são exames frequentes solicitados na genética médica. São os chamados exames de citogenética. A citogenética é o estudo dos cromossomos e seu papel na hereditariedade. É avaliado a forma, o número as características sobre cromossomos.

A citogenética compõe o estudo da estrutura e composição dos cromossomos, incluindo os métodos que o geneticista utiliza para analisar cromossomos. Além de alterações nos cromossomos associadas à doença, os papéis que os cromossomos desempenham na determinação do sexo e mudanças nos cromossomos durante a evolução.

O que são cromossomos? São estruturas encontradas no núcleo da célula. Eles guardam e protegem a informação genética. Os cromossomos são compostos de: DNA e proteína combinados. Cada cromossomo contém muitos genes. Como sempre falo aos pacientes, todo mundo é metade da mãe e metade do pai, por isso os cromossomos vêm em pares. São numerados de 1-22 (autossomos); X e Y (sexuais).

Na investigação de diversas etiologias, é necessário lançar mão de testes genéticos, em especial na dismorfologia/doenças raras, estudo da deficiência intelectual, das perdas gestacionais de repetição e da infertilidade conjugal. Vamos falar sobre os exames:

  1. Cariótipo convencional com banda G de sangue periférico (TUSS: 40.50.10.51): este teste avalia os cromossomos em número, forma e distribuição. É o exame que avalia se há por exemplo trissomia livre do cromossomo 21 (na síndrome de Down). É o exame base de toda a genética, mas tem grandes limitações: depender de cultura celular, depende de citogeneticista experiente e baixa resolução.
  2. Hibridização por fluorescência in situ (FISH) (TUSS: 40.50.32.32): este teste visa regiões específicas de todo o genoma. Por exemplo o FISH para X e Y na avaliação de síndrome de Turner, ou pesquisa da deleção do 22q11.2 na síndrome de Di George. Deve-se ter em mente que o médico geneticista tem uma hipótese diagnóstica específica. Não necessita de cultura e pode ser utilizado para avaliação de mosaiismo.
  3. Pesquisa de microrrerranjos por hibridização genômica comparativa (CGH-Array) (TUSS: 40.50.32.40): este exame visa o rastreamento pré ou pós natal de todo o genoma em busca de alterações cromossômicas submicroscópicas, ou seja, que o cariótipo convencional não consegue visualizar. É o padrão-ouro no exterior para avaliação de deleções e duplicações cromossômicas.
  4. Pesquisa de microrrerranjos por polimorfismos de nucleotídeo único (SNP-Array) (TUSS: 40.50.32.40): é muito semelhante ao CGH-Array, a única diferença é a técnica laboratorial e a resolução.

O ideal sempre que estiver frente a solicitação destes testes genéticos é entender para serve, quais suas limitações e quais seriam as implicações dos diagnósticos a serem pesquisados. Sempre devem ser solicitados por médico geneticista, pois apenas este e interpretar os testes genéticos e realizar o aconselhamento genético.

Tireoide perda gestacional de repetição

Perda gestacional pode ser tireoide?

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A perda gestacional de repetição ou o abortamento habitual possui diversas causas, já previamente descritas (ver cariótipo  e trombofilia). Dentre as condições de saúde materna, tanto psicológica (ver link) quanto outras não diagnosticadas ou mal controladas podem levar a perda gestacional.

A doença da tireoide não diagnosticada é um desses problemas associados ao aborto espontâneo em alguns estudos, incluindo o hipotireoidismo subclínico. Dado que os sintomas da doença da tireoide/hipotireoidismo são muitas vezes menos óbvios, e muitas vezes imperceptível, muitas mulheres com perda gestacional recorrente se perguntam se podem ter uma condição de tireóide não tratada.

A doença da tireoide é, na verdade, um conjunto de diferentes condições, em vez de uma única entidade. Há diversas informações quanto ao que pode ser um fator de risco em aborto espontâneo.

Diversos estudos em abortamento habitual associam o risco aumentado para perda gestacional em mulheres com altas concentrações séricas de anticorpos tireoidianos (tireoperoxidase ou tireoglobulina), incluindo aqueles que são eutireoidianos.

A autoimunidade tireoidiana também tem sido relacionada à infertilidade sem causa aparente e à falha na implantação em tratamentos de reprodução assistida (ver link).

Doença da tireoide mal controlada (hipo ou hipertiroidismo) está associada à infertilidade e à perda gestacional. Excesso de hormônio tireoidiano aumenta o risco de aborto independente da disfunção metabólica materna, vale ressaltar que valores do TSH (hormônio tireoestimulante) superiores a 2,5 uU/ml no primeiro trimestre aumenta a chance de perda gestacional.

Sempre falo durante o aconselhamento genético que não desejamos uma gravidez a qualquer custo e sim o mais saudável possível, e o controle da tireoide são indispensáveis. O ideal em caso de perda gestacional de repetição é sempre ser avaliado por médico geneticista para tentar explicar a causa e após verificar possibilidades terapêuticas.

Crouzon Apert Craniossinostose Cranioestenose

Craniossinostose ou cranioestenose, o que é a fusão prematura de suturas cranianas?

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A craniossinostose é uma malformação congênita em que o ossos do crânio do bebê se fecham cedo, também é conhecido como fechamento prematuro das suturas ou cranioestenose. A presença de suturas cranianas abertas fazem com que o cérebro do bebê cresça naturalmente. Quanto ocorre a craniossinostose, o fechamento das suturas ocorre antes do termino do crescimento do cérebro da criança.

Em torno do terceiro ano de vida, os ossos do crânio do bebê começa a se unir, momento que as suturas tornam-se osso. Em um bebê om craniossinostose, o fechamento de uma ou mais suturas ocorre muito mais cedo. Isso pode limitar ou retardar o crescimento físico do cérebro do bebê.

Quando ocorre o fechamento prematuro das suturas, e ocorre a fusão dos ossos cranianos muito cedo, a cabeça do bebê para de crescer naquele ponto. Nas outras partes em que ainda há suturas abertas a cabeça do bebê continuará a crescer. Quando isto ocorre, o crânio pode ter uma forma anormal, embora o cérebro tenha seu tamanho habitual.

Quando mais de uma sutura se fecha, o cérebro pode não ter espaço suficiente para crescer, o que pode inclusive levar a aumento da pressão intracraniana.

Existem muitos casos de cranioestenoses isoladas, entretanto há condições geneticamente determinadas que levam a craniossinostose. As mais comuns estão relacionadas ao gene FGFR2, são: síndrome de Apert e síndrome de Crouzon. Algumas condições maternas também podem ser fatores de risco para ocorrência de craniossinostose, como uso de medicamentos e hipotireoidismo.

O ideal é buscar um médico geneticista para avaliação e verificar se estamos frente a uma craniossinostose isolada, ou a algum quadro sindrômico. Além da realização do aconselhamento genético e orientações quanto as condutas e cirurgias a serem programadas para evitar deformações cranianas ou outras sequelas.

ELA familiar familial esclerose lateral amiotrófica genética hereditária

ELA familiar: a esclerose lateral amiotrófica genética

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A esclerose lateral amiotrófica (ELA) pode ser genética. A maioria dos casos não são doenças geneticamente determinadas. A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença crônica, progressiva e imutável, causada pela morte do neurônio motor.

Na maioria das vezes o paciente em esclerose lateral amiotrófica (ELA) demora anos para conseguir diagnosticar a doença. A forma esporádica (mais comum) possui uma evolução rápida de poucos anos.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) familiar é causada por alteração no gene VAPB. No gene VAPB a mutação mais frequente é a c.C166T/p.P56S. Esta mutação é genuinamente brasileira, não sendo descrita em nenhum outro lugar no mundo.

A diferença entre a forma esporádica e a hereditária ou familiar são duas: o tempo de progressão da doença e a presença de vários familiares com a mesma doença. A forma hereditária tem uma evolução mais branda dos sintomas, demorando anos para que esta evolua. Já a forma esporádica é rápida e em poucos anos já deixa sequelas irreversíveis.

Existe apenas uma medicação específica para a esclerose lateral amiotrófica: o riluzol. Há estudos fase II e fase III de novas drogas além de uso de células tronco, mas esta doença ainda não tem cura. Existem diversas associações de pacientes, dentre elas o Movimento em defesa dos direitos das pessoas com Esclerose Lateral Amiotrófica (MOVELA, ver link).

Na forma familial ou hereditária da esclerose lateral amiotrófica (ELA), existe a possibilidade de passar para a próxima geração a mutação causadora da doença. Assim como muitas doenças monogênicas, pode ser feito o teste genético pré-implantacional (ver link), a partir de um embrião obtido com uso de tecnologia de reprodução assistida (ver link).

O ideal como em toda doença de manifestação neurológica é a realização do diagnóstico correto, a partir da equipe com um neurologista que irá realizar avaliação clínica do caso.

O médico geneticista, que irá avaliar se é ou não a forma hereditária ou familiar da esclerose lateral amiotrófica (ELA); e assim solicitar os testes genéticos indicados.