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Odor de peixe podre: pode ser trimetilaminúria

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A trimetilaminúria é uma doença genética rara, com incidência desconhecida, em que o corpo não consegue decompor a trimetilamina, uma substancia que apresenta odor muito forte e característico.

A trimetilamina apresenta-se com odor de peixe podre, ovos podres ou lixo. A partir do excesso desta substancia, as pessoas com trimetilaminúria apresentam-se com forte odor no suor, urina e no hálito. A intensidade do odor varia com o tempo.

A presença de odor de peixe podre pode interferir muitos aspectos na vida diária da pessoa. Relacionamentos, vida social e profissional pode ser afetados, pois, o odor de peixe podre pode afastar e sugerir as outras pessoas uma condição de má higiene.

Muitas pessoas quando apresentam odor forte no suor apresentam ainda depressão e isolamento social, por conta da vergonha que passam por apresentar este odor.

Como condição genética rara, a trimetilaminúria é diagnosticada com presença de mutações no gene FMO3. Este gene tem a receita da enzima que decompõe a trimetilamina.

A trimetilamina é produzido por bactérias intestinais durante a digestão da proteína de ovo, fígado, leguminosas, peixes e outros alimentos. Com a falta da enzima relacionada ao gene FMO3, ocorre o acumulo de trimetilamina, e consequentemente mudança nos odores naturais do corpo.

O estresse e a dieta desempenham um papel importante no aparecimento do odor de cheiro de peixe. Assim como excesso de bactérias intestinais que produzem trimetilamina.

O ideal, sempre frente a um caso com trimetilaminúria, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Créditos da imagem: Autorização de modelo arquivada com a Shutterstock, Inc.

 

Síndrome de Ehlers-Danlos: conheça a SED

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A síndrome de Ehlers-Danlos, é um grupo de doenças genéticas raras que afeta o tecido conjuntivo. O tecido conjuntivo, como o próprio nome diz, tem função de conectar a pele, ossos, vasos sanguíneos e outros tecidos e órgãos.

Alteração no tecido conjuntivo e no colágeno pode levar a sinais e sintomas. A principal característica da síndrome de Ehlers-Danlos é a frouxidão ligamentar, ou melhor as articulações mais flexíveis e até mesmo complicações que levam a risco a vida.

Como grupo de doenças, a síndrome de Ehlers Danlos (SED) apresenta-se com mais de 13 tipos diferentes. O tipo mais comum está realacionada a hipermobilidade, ou seja, grande movimentação articular. Muitos artistas contorcionistas apresentam a síndrome de Ehlers Danlos (SED).

Esta condição pode ser observada logo nos primeiros dias de vida. Lactentes e crianças com frouxidão ligamentar podem apresentar com hipotonia (musculatura com tônus diminuído), e muitos casos apresentam-se com atraso motor leve, com demora em aprender a sentar e andar.

Apresenta-se ainda articulações frouxas caracterizadas por luxação e dor crônica. Em bebês, a presença de luxação de quadril pode ser um sinal da síndrome de Ehlers-Danlos.

Outros sinais podem apresentar-se em pessoas com síndrome de Ehlers-Danlos (SED), incluindo-se pele macia e aveluldada com elasticidade. A cicatrização é prejudicada, com a alteração no tecido conjuntivo. Dessa forma, deve-se prevenir ferimentos, evitando-se esportes de contato.

Pessoas com SED podem apresentar-se com escoliose, ou seja, curvatura da coluna. Além da forma mais grave apresentar rompimento imprevisível de vasos sanguíneos, pela fragilidade do tecido conjuntivo nos vasos. Outros órgãos apresentam-se com maior fragilidade, como o intestino e o útero durante a gravidez.

A SED é conhecida como uma doença zebra, por conta da dificuldade em se diagnosticar na clínica médica. Muitas vezes é confundida com outras doenças, e muitos médicos, infelizmente, não pensam em SED como diagnostico diferencial.

O ideal, sempre frente a um caso com síndrome de Ehlers-Danlos, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Doença zebra: quando o diagnóstico não é tão simples.

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Doenças raras são condições com frequência muito baixa, e muitas vezes não são diagnosticadas por conta de que muitos médicos não têm familiaridade com estas condições. Durante o estudo da medicina, os acadêmicos aprendem a lidar com o mais comum, dificilmente tratam de coisas incomuns e raras.

Muitos pacientes meus com doenças raras passam por diversos médicos antes de mim. Passam nas mais diversas especialidades: neurologia, psiquiatria, ginecologia obstetrícia, cardiologista, endocrinologista, dentre outras. Sempre procurando responder à pergunta: “O que eu tenho?”

Existe um grande ditado na medicina que brinca com cavalos e zebras. Esse ditado fala que “Quando se ouvir trote de cascos atrás de você, não espere ver uma zebra, e sim cavalos”. Ou seja, pense sempre no mais comum, e não na raridade, não na exceção.

Conforme falei, meus pacientes passam anos e anos buscando um diagnóstico, ou melhor, saber o porquê sou assim. Diagnosticar doenças que são tão conhecidas e estudadas não é uma tarefa fácil.

Dentre as doenças raras, a síndrome de Ehlers-Danlos (SED) é uma condição em que os pacientes se identificam muito com este conceito de doença zebra. Vale ressaltar que assim como nenhuma zebra tem as mesmas listras que outra, a mesma doença rara manifesta-se de forma diferente em cada caso.

O ideal, sempre frente a duvidas diagnósticas de doenças incomuns, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

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O que é uma doença rara: definição

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Quando escrevo, falo muito em doença rara e condição rara. Mas o que significa isto? As doenças raras são condições que afetam um número muito pequeno de pessoas na população geral. Tem como definição, doença rara aquela doença que tem frequência menor de 1 para cada 2000 pessoas.

A doença rara, apesar do nome, pode ser mais frequente em um local e menos em outra. O melhor exemplo é a anemia falciforme, muito frequente no estado do Maranhão, e menos frequente no estado do Rio Grande do Sul.

Apesar do nome doença rara, em conjunto, abrange pelo menos 8000 doenças diferentes. De modo geral, as doenças genéticas são raras, mas nem toda doença rara tem fundo genético. Inclui-se doenças raras: a neuromielite ótica (imunológica), síndrome de Moebius (disrupção na formação fetal) e a doença de Whipple (infecciosa).

Em geral, as doenças raras são crônicas, progressivas, ou imutáveis no sentido de não ter um tratamento específico. Há aquelas consideradas congênitas, ou seja, observadas desde o nascimento, por exemplo a síndrome de Angelman; e outras que ocorrem após certa idade como a doença de Machado-Joseph.

Infelizmente, durante o curso de medicina, pouco ou nada se explora relativo da doenças raras. Somos treinados para lidar com o comum: diabetes, hipertensão, doenças infecciosas na infância. Ainda é um campo muito vasto, mas com pouco conhecimento. Vale lembrar que a especialidade Genética Médica foi reconhecida no Brasil em 1983.

O ideal, sempre frente a suspeita de alguma doença rara, é importante o encaminhamento para um médico geneticista e realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Síndrome de Moebius alteração facial hipomimia facial alteração de musculatura facial estrabismo alteração da artéria subclávia alteração em membros

Síndrome de Moebius: alteração facial

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A síndrome de Moebius é uma doença rara neurológica que afetam toda a musculatura da face. A musculatura da face está relacionada a expressão facial e movimentação do olhos. Ao nascimento, já é possível observar alterações faciais típicas, com a hipomimia facial.

As características mais comuns da síndrome de Moebius é a fraqueza ou paralisia dos músculos faciais. As pessoas com síndrome de moebius apresentam-se dificuldade em apresentar expressões faciais. Elas não conseguem sorrir, franzir a testa ou levantar a sobrancelha, muitas vezes apenas de um dos lados do rosto. A fraqueza muscular pode levar a dificuldade alimentar, com aparecimento no início da infância.

As pessoas com síndrome de Moebius podem apresentar micrognatia (queixo pequeno) e microstomia (boca pequena), com encurtamento da lingua ou de formado diferente do habitual. Podem apresentar ainda alterações palatinas, com fenda palatina. O conjunto de alterações orais podem levar a dificuldade na articulação da fala. Também é comum a presença de alterações nos dentes.

Os musculos que controlam os olhos também são afetados. Com isto é frequente presença de estrabismo, além de dificuldade de movimentação dos olhos. A pálpebra pode não fechar completamente, e por isto muitas pessoas com síndrome de Moebius podem apresentar olhos secos ou irritados. Podem ainda apresentar alterações em outros órgãos, como hipotonia, alterações em membros associada a síndrome de Poland.

Menos comum, algumas crianças com síndrome de Poland podem apresentar atraso do desenvolvimento, com demora em conseguir aprender a sentar e a andar. Assim como já foi descrita também associação com transtorno do espectro autista (TEA) e deficiência intelectual. Mas a maioria dos pacientes com síndrome de Moebius não apresentam nenhuma alteração intelectual ou autismo.

Quando eu era residente de genética médica, no XVII Congresso Brasileiro de Genética Médica que ocorreu em Ribeirão Preto (SP) no ano de 2015, apresentei um relato de caso com um paciente com síndrome de Moebius, na ocasião, apresentei uma revisão de literatura, com um caso típico desta condição, bem como com os possíveis manejos clínicos.

O ideal, sempre frente a um caso com síndrome de Moebius, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Síndrome de Marfan: alteração nos olhos e no coração

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A síndrome de Marfan é uma doença genética associada a alteração no gene da fibrilina, FBN1, que afeta o tecido conjuntivo. A função do tecido conjuntivo é fazer a conexão entre os tecidos, fornecendo força e flexibilidade as estruturas: válvulas cardíacas, músculos, ossos. Assim como as outras doenças genéticas, a síndrome de Marfan apresentam uma variabilidade muito grande de sinais e sintomas.

A síndrome de Marfan apresenta duas principais características: alteração visual e cardíaca. Apresenta ainda alterações em outros órgãos, incluindo o indivíduo ser longilíneo e a presença de alterações ósseas como a escoliose, o peito carenado ou escavado.

A alteração visual característica é a ectopia lentis ou subluxação de cristalino. Na avaliação oftalmológica, é observado que o cristalino está fora da sua posição habitual.

A alteração cardíaca, observa-se a dilatação aórtica. A aorta de forma mais simples, pode ficar com a parece mais enfraquecida, e por isto, fica mais dilatada que o normal. Se não controlado, pode ocorrer um aneurisma ou até mesmo a dissecção da aorta. Ambas situações podem ser fatais.

Além dos problemas do coração mais graves, pode ocorrer ainda prolapso da válvula mitral e refluxo da válvula aórtica. Estas outras cardiopatias podem ocasionar falta de ar, arritmia e palpitações.

O diagnóstico da síndrome de Marfan normalmente ocorre durante a adolescência, mas podem aparecer em qualquer momento entre a infância e a idade adulta. Com o tratamento adequado, muitas pessoas com síndrome de Marfan podem apresentar vida muito próxima do normal.

O ideal, sempre frente a um caso com síndrome de síndrome de Marfan, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Créditos da imagem: Autorização de modelo arquivada com a Shutterstock, Inc.
Hipertermia maligna anestesia inalatoria efeito colateral halotano sevoflurano antidoto dantrolene predisposição genética achado incidental farmacogenômica

Hipertermia maligna: anestésico inalatório e seu efeito colateral

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Quanto aos efeitos colaterais de anestesias inalatórias, a hipertermia maligna é a mais preocupante. A hipertermia maligna é uma reação grave a determinados medicamentos. Incluem-se alguns medicamentos psiquiátricos e em especial anestésicos inalatórios, como o halotano e sevoflurano.

Quando vai ser realizado algum procedimento invasivo, como uma cirurgia, é necessária a realização de anestesia. A anestesia é um procedimento, utilizando medicamentos, para bloquear temporariamente a dor e a sensibilidade. Especificamente a hipertermia maligna ocorre em resposta aos gases utilizados para anestesia.

Quando utilizada este tipo de anestesia, pessoas em risco de hipertermia maligna podem apresentar febre alta (acima de 40ºC, por isso a hipertermia) rigidez muscular, rabdomiólise (quebra das fibras musculares), acidose e aumento da frequência cardíaca. Se não for iniciado com o antidoto imediatamente, há risco de morte para indivíduos com hipertermia maligna.

A predisposição genética a hipertermia maligna é relativa a mutações nos genes CACNA1S e RYR1. Muitas pessoas nunca saberão que possuem predisposição, a menos que desenvolvam a hipertermia maligna durante um procedimento cirúrgico ou forem identificadas mutações nos genes de predisposição à hipertermia maligna nos achados incidentais de um teste genético ou num teste de farmacogenômica.

O ideal, antes da realização de qualquer procedimento, é sempre perguntar sobre riscos e benefícios da realização do mesmo. Assim como durante a realização de um teste genético, quais seus riscos e benefícios, se há possibilidade de saber sobre os achados incidentais.

Atrofia ótica tipo 1 OPA1 perda de visão progressiva familiar cegueira progressiva palidez do disco ótico alteração oftalmológica genética oftalmogenética

Atrofia ótica tipo 1: perda de visão progressiva familiar

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A atrofia óptica tipo 1 é uma condição geneticamente determinada associada ao gene OPA1. Esta condição está associada a perda de visão progressiva, iniciada em muitas vezes na infância.

As pessoas com atrofia ótica tipo 1 apresentam perda de campo visual. A partir da diminuição do campo visual, a perda visual começa a ser maior. Normalmente ocorre em ambos os olhos, e a gravidade da perda visual varia muito.

Mesmo pessoas com a mesma mutação no OPA1 e na mesma família podem apresentar gravidade de perda visual diferentes, desde visão subnormal até mesmo cegueira completa.

Além da perda visual progressiva, muitas pessoas com atrofia óptica tipo 1 podem apresentar dificuldade em distinção de cores. Nas primeiras décadas de vida, quando os sintomas são ainda pouco perceptíveis, já é possível observar alterações na retina.

As alterações da retina podem apresentar ainda com degeneração dos nervos óticos. A atrofia ótica decorre da degeneração deste nervo. Com alteração no nervo ótico, responsável por transmitir as informações visuais do olho para o cérebro, resulta em perda progressiva da visão.

A avaliação oftalmológica, quando feito o fundo de olho, é observada alteração/palidez. Este é um outro sinal que sugere a atrofia ótica tipo 1. O diagnóstico etiológico é realizado a partir de teste genético específico.

Esta condição é autossômica dominante, ou seja, pode ser passada de pai para filho, de filho para neto, e assim sucessivamente. Há famílias com muitos indivíduos afetados. Assim como na acondroplasia e na esclerose lateral amiotrófica familiar, pode ser realizada análise embrionária para evitar ocorrência desta doença rara.

O ideal, sempre frente a um caso com atrofia ótica tipo 1, é necessária a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento aos pacientes.

Créditos da imagem: autorização de modelo arquivada com a Shutterstock, Inc.

Talassemia beta: hemoglobinopatia hereditária, inicia na infância, transfusão de sangue, triagem neonatal, análise de embrião, transplante de medula.

Talassemia beta: hemoglobinopatia hereditária mediterrânea

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A talassemia beta é uma das doenças do grupo das hemoglobinopatias, semelhante a anemia falciforme. Estas condições afetam a hemoglobina. A hemoglobina é a molecular que está presente nos glóbulos vermelhos, ou hemácias. As pessoas com talassemia beta apresentam a produção de hemoglobina. A hemoglobina é a proteína que contém ferro nos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio para as células em todo o corpo.

A talassemia beta apresenta-se com sinais e sintomas aparecendo nos primeiros 2 anos de vida, é uma das doenças detectadas no teste do pezinho. As crianças desenvolvem anemia, e além disso correm risco de vida. A presença da formação inadequada de hemoglobina leva a não ganharem peso e não crescem na taxa esperada. Também é observada a icterícia, com pele e olhos amarelados.

Na adolescência, muitos casos chegam a apresentar puberdade atrasada. Além disso, alguns indivíduos com talassemia beta apresentam-se com baço, fígado e coração de tamanho maior que o esperado.

Em casos mais graves, em indivíduos com talassemia beta é necessário transfusões sanguíneas freqüentes para suprir a anemia. Esse excesso de transfusões sanguíneas podem levar a um acúmulo de ferro no organismo, resultando em problemas de fígado, coração e hormônios.

Hoje, o único tratamento curativo para talassemia beta é o transplante de medula. Infelizmente é muito difícil encontrar doadores compatíveis. Já é possível a realização de análise embrionária com seleção de embriões compatíveis, semelhante ao que ocorre a anemia falciforme.

O ideal, sempre frente a um caso com talassemia beta, é a avaliação com médico geneticista para realização do aconselhamento genético, bem como definição do melhor manejo, estimativa de risco e poder oferecer possibilidades de tratamento curativo aos pacientes.

Sexualidade é parte essencial na natureza humana, a sexualidade e deficiência intelectual deve ser vivida de forma plena para melhoria na qualidade de vida

Sexualidade e deficiência intelectual

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Antes de tudo, esse texto não é sobre relações sexuais, nem sobre sexo em si e sim sobre sexualidade. A sexualidade é uma parte essencial da natureza humana, independentemente de idade.

Para entender e apreciar a sexualidade, é necessária a informação e o apoio. A conversa é a principal ferramenta. Apenas conversando sobre o assunto é possível prevenir e poder viver a sexualidade em sua totalidade. Por conta disso, gera muitas dúvidas em pais e cuidadores de pessoas com deficiência intelectual.

As pessoas com deficiência intelectual vivem e experimentam o mesmo leque de pensamentos, atitudes, sentimentos, desejos, fantasias e atividades sexuais que qualquer outra pessoa.

A sexualidade tem aspectos psicológicos, biológicos e sociais e é influenciada por valores e atitudes individuais. A sexualidade de uma pessoa se desenvolve ao longo da infância e adolescência e é uma parte essencial de sua identidade.

A maneira como cada pessoa entende e interpreta sua sexualidade varia significativamente e muda com o tempo. A auto-estima saudável e o respeito por si e pelos outros são fatores importantes no desenvolvimento da sexualidade positiva.

A maioria das pessoas com deficiência intelectual pode ter relacionamentos pessoais gratificantes. No entanto, alguns podem precisar de apoio adicional para desenvolver relacionamentos, explorar e expressar sua sexualidade e acessar informações e serviços de saúde sexual.

Sexualidade é muito além do que fazer sexo. Existem casais de pessoas com, por exemplo, síndrome de Down, que a sexualidade é pegar nas mãos, andar juntos, casar, não necessariamente fazer sexo.

Da mesma forma que há a sexualidade positiva, temos que tomar cuidado com situações de risco. A pessoa com deficiência intelectual é mais vulnerável, a por exemplo: abuso sexual. Tive um paciente com síndrome de Williams, e pela personalidade muito amigável, acabou sendo abusado sexualmente na parada de ônibus por um rapaz que “deu em cima”.

Assim como esta situação. Já tive outra paciente com síndrome velocardiofacial, em que frequentemente era submetida a abusos sexuais frequentes no bar próximo a sua casa.

A educação sexual inicia-se em casa, mas a escola tem um papel fundamental na formação e passagem dessas informações. Sempre que atendo adolescentes, em especial com deficiência intelectual, durante o aconselhamento genético, falo sobre como viver plenamente sexualidade.